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Projeto de Pesquisa de Mestrado

Índice

Uso educativo do wiki: um estudo de caso na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

1 - Justificativa

1.1 - O pesquisador e a Educação

Sou um profissional de formação originalmente tecnicista na área de Tecnologia de Informação. Mas foi na área de Educação é que meu trabalho tornou-se mais significativo para mim. O sentimento de contribuir com a formação de pessoas para uma sociedade melhor é muito prazeroso. Juntar a minha habilidade com computadores com aquilo que mais gosto - ensinar - se tornou o meu objetivo profissionai e pessoal.

Além dos estudos na área de Educação, outra grande influência em minha experiência pessoal foi a utilização e a participação em comunidades de Software Livre, onde percebi que compartilhar software é compartilhar conhecimento. Mais que isso: é um processo educativo; você ensina e aprende lendo o código-fonte escritos por outros. E ainda melhor, você pode ajudar a melhorar o software que você utiliza, ou seja, você tem toda liberdade de interagir com o software, modificando-o a sua vontade, bastando ter capacidade técnica para tal.

Semelhante ao processo de produção do Software Livre, surgiram outras iniciativas de conteúdos livres. A Wikipedia é o caso mais conhecido, na qual existem milhares de artigos escritos colaborativamente por autores espalhados pelo mundo. É uma prova do conceito que a Internet é uma mídia essencialmente interativa - todos os seus leitores são potenciais escritores. Este também é o princípio dos softwares wikis, dos quais a Wikipedia faz parte: todos são convidados a contribuirem com a sua construção.

Inspirados nestes casos de sucesso de construção de conhecimento coletivo é que vários pesquisadores investigam como utilizar wiki de forma educativa (cf. Dutra et al [1]) . Em vários casos de uso (cf. Mader et al [2]), pesquisadores reportam vários problemas técnicos, culturais e pedagógicos; porém, também é relatado benefícios relacionados a autonomia, trabalho em equipe, participação, etc.

Nesta mesma direção é para onde desenvolveremos esta pesquisa, visando observar a aplicação desta nova tecnologia especificamente em um ambiente de formação de professores.

1.2 - A necessidade da mudança

Com o surgimento da Internet e da Sociedade do conhecimento, surgiram novos modos de se produzir conhecimento. Lacerda Santos denomina M2 como sendo o Novo Modo de Produção de Conhecimento e M1 como o Modo Tradicional de Produção de Conhecimento. Também afirma que para que o M2 seja instaurado, é necessário repensar a forma com que as instituições de ensino se relacionam com o conhecimento:

"O Novo Modo de Produção do Conhecimento (M2), em oposição ao Modo Tradicional de Produção de Conhecimento (M1), é pautado pelo aumento da produção, pela agregação de alto valor comercial ao conhecimento produzido, pela heterogeneidade institucional, pela aplicabilidade, pela contextualização, pela transdiciplinaridade, pela instrumentação e pela reflexibilidade...

Para Gibbons e seus colaboradores, a produção do conhecimento é cada vez mais um processo socialmente distribuído, que tende a assumir caráter universal. Em sua base está a multiplicação de locais que constituem fontes da contínua combinação e recombinação dos recursos do conhecimento, é combinação esta cada vez mais inovadora e surpreendente. Além desta dimensão fundamental da mudança, isto é, do caráter compartilhado da formatação do conhecimento, é fundamental ressaltar a importância crescente dos foros híbridos de produção de conhecimentos, em que peritos e não peritos interagem em torno do avanço científico e tecnológico, possibilitando crescente inserção do conhecimento produzido em um contexto globalizado e a eliminação de fronteiras entre disciplinas e instituições...

A instauração do M2 articula-se, portanto, em torno do aumento da capacidade da sociedade como um todo para produzir e utilizar ciência e tecnologia. E tal condição tem como pré-requisito uma divulgação continuada do conhecimento, principalmente daquele produzido nos ambientes universitários, onde de modo geral, os estudantes devem aprender como encontrar, apropriar-se e fazer uso de conhecimento produzido em qualquer lugar do mundo, em prol de novas idéias, de novas necessidades sociais. Eles devem, portanto, adaptar sua capacidade de pesquisa ao caráter compartilhado de produção do conhecimento. Dessa forma, a universidade muda de estatuto, passando de supridora de conhecimentos a parceira na produção dos mesmos, contribuindo para a evolução da em ciência e técnica do território em que está situada" (Lacerda Santos [3], p. 26 a 28)

Com a Internet vislumbra-se um horizonte de potencialidades de realização da migração do M1 para o M2, visando o maior contato da Universidade com a comunidade em rede, em um ambiente horizontalizado onde especialistas e não-especialistas possam colaborativamente aprender na construção de novos conhecimentos.

1.3 - O desafio da inovação

A implantação de qualquer tecnologia afeta vários níveis que compõem uma instituição educacional; o institucional (externo a escola), o organizacional (interno a escola) e o individual (atores sociais), conforme defende Afonso:

"... Partindo de pressupostos empírico-racionais que julgam ser possível "convencer" os potenciais adoptantes da "bondade" da inovação, a qual acabará por se impor, dados os seus "evidentes" benefícios, ignora-se a fase de aplicação...Ora, sabe-se que o êxito de uma inovação pedagógica depende de inúmeros fatores, que não podem ser ignorados, dado o papel, favorável ou desfavorável, que podem desempenhar...Para o estudo do impacto das inovações educativas, partimos portanto, do pressuposto da existência de três níveis de análise, que é preciso ter em conta - o institucional, exterior à escola; o organizacional, próprio da escola; e o individual, que diz respeito aos actores sociais, envolvidos nos níveis anteriores. " . (Afonso [4], p. 26)

É importante ficar atento que toda inovação, especialmente na introdução de novas tecnologias de informação e comunicação na área educacional, envolve não somente habilidade com software e hardware, mas também pessoas (professores, alunos, funcionários); com impacto nos níveis institucional, organizacional e individual. Desta forma, há uma necessidade de apoio e interação entre os vários níveis, uma coesão entre pensamento e ações que viabilizem a mudança.

1.4 - O desafio da colaboração

Na implantação de projetos colaborativos existem vários obstáculos a serem superados na colaboração entre professores, conforme citam Tardif e Lessard:

"...Para haver colaboração no conjunto escolar é preciso que sejam instituídas uma filosofia orientada para o trabalho de equipe e projetos coletivos. Os professores jovens partilhariam mais essa orientação. Às vezes, a colaboração é possível apenas com alguns professores, mas outras vezes é o conjunto da equipe escolar que partilha de um projeto comum. O espírito de equipe poderia chegar até numa forma de co-gestão no interior da escola...A motivação dos professores permitiria que se criem verdadeiras equipes na escola. O estabelecimento de um projeto coletivo no interior de uma escola, contudo, parece que continua sendo algo mais difícil de se implantar do que a colaboração entre dois ou três professores. Com efeito, é mesmo difícil conseguir unanimidade no interior de uma escola quando se trata de erigir um projeto comum. Parece difícil também encontrar tempo para elaborar projetos coletivos. A tarefa dos professores é pesada e poucos dentre eles tomam tempo ainda, depois das horas normais de trabalho." . (Tardif e Lessard [5], p. 187)

Pela afirmação acima, nota-se que colaboração é um "trabalho-extra" para o professor que já possui "responsabilidades demais" no processo de ensino-aprendizagem. Segundo uma visão tradicional, já não basta o professor "transferir seu conhecimento" para seus alunos e fornecer uma nota pelo "conhecimento absorvido"? De fato, seguir a pedagogia tradicional é bem menos trabalhoso para o professor, pois o mantém em uma zona de conforto, sem necessitar questionar e ser questionado, sem precisar se arriscar em situações de dúvida. Para o professor tradicional, o conhecimento deve ser estático e direcionado entre professor e aluno, enquanto que novas didáticas encontram oportunidades potenciais na colaboração, entre todos, especialmente em professores e entre alunos.

1.5 - O que é wiki?

Dentre as novas tecnologias aplicadas à educação, podemos citar a utilização de ferramentas colaborativas como wikis, blogs e mapas conceituais, conforme podemos observar no projeto Amora, que visa construir um modelo pedagógico para o desenvolvimento da autonomia e criatividade de alunos do ensino fundamental de 7 a 10 anos. [1]:

O Projeto Amora do Colégio de Aplicação da UFRGS, há 10 anos, vem construindo um modelo de trabalho que visa o desenvolvimento da autonomia e criatividade dos alunos. Os Projetos de Aprendizagem, em que a criança desenvolve pesquisas a respeito de temas científicos, aliam este objetivo ao uso de ferramentas de interação e intervenção suportadas por tecnologia.No presente artigo, é descrito o funcionamento do Projeto Amora e o uso de três ferramentas digitais: os blogs, os`mapas conceituais (através do software CmapTools) e o wiki. Nos blogs, cada criança posta um diário com o aprendizado do projeto no dia. Os mapas conceituais são formas de representação alternativas a um texto escrito. O wiki é um sistema de construção de páginas na internet no qual as crianças desenvolvem as conclusões a respeito de seus projetos."

Neste projeto iremos focar em Wiki, que é um termo criado por Ward Cunningham em 2001, usado para nomear um software denominado WikiWikiWeb, que significa "Web Ágil" na língua Havaiana. O software tinha a idéia original de permitir que leitores pudessem facilmente participar da edição do próprio conteúdo, usando apenas um navegador Internet. Após esta primeira versão, vários clones foram criados, dentre os quais um dos mais populares é o sistema wiki WikiMedia, utilizado na Wikipedia [6], que possibilitou o desenvolvimento de mais de 1 milhão de artigos em várias línguas por colaboradores de diversos países.

Segue uma tabela comparativa entre Wiki, Blog e Fórum:

Característica Wiki Blogs Fórum
Hierarquia Vários autores postam sem hierarquia pré-estabelecida entre eles, podendo modificar o texto de outro Somente o dono do blog tem o poder de editar enquanto os visitantes a priori podem apenas postar comentários Não há hierarquia pré-estabelecida, vários autores postam, mas não possuem poder de editar postagens de outros
Organização do texto hipertexto baseado em tópicos sequencial e cronológico sequencial ou por linhas de assuntos
Tipo de Produto geralmente fornece um produto final conclusivo (artigo ou livro final) o produto final é postado por um, possivelmente questionado ou complementado pelos convidados o produto final é aberto, geralmente não há conclusões, o conhecimento é disperso
Identificação individual não é enfatizada o autor é enfatizado vários autores são enfatizados
Indentificação de grupo é enfatizada não há desenvolve o debate de opiniões

O wiki é a forma mais liberal de edição colaborativa de conteúdo. Configurando sua forma e meios de restrição de edição, um wiki pode se tornar um blog ou até mesmo um fórum.

Nota-se portanto, que o wiki tem uma vocação para desenvolvimento de produtos finais, conforme reforça Dutra et al [1]:

"Dessa forma, as pesquisas em livros ou em sites da internet, os registros no blog bem como os mapas conceituais construídos, seriam os subsídios para a construção das páginas no wiki. Esse procedimento difere daquele adotado para a construção de páginas da internet no Projeto Amora no sentido que singularizar esse espaço (as páginas) para efetivamente representar as conclusões dos alunos bem como pela possibilidade do próprio sistema wiki de guardar um histórico de modificações. Escolhemos o sistema wiki para fazer o registro do desenho de conclusões dos sujeitos de tal forma que, segundo eles próprios, as páginas ali registradas representassem um produto “final” mais elaborado e que refletissem uma síntese do seu trabalho.

1.5.1 - Taxonomia

Wiki viabiliza o processo de Edição Colaborativa que é definido por Lowry et all [7] como:

"... um processo social-interativo que envolve uma equipe focada em um objetivo comum que negociam, coordenam, e comunicam durante a criação de um documento comum.... baseado na tarefa de escrita, EC inclui a possibilidade de várias estratégias, atividades, métodos de controle de documentos, papéis de equipe e modos de trabalho. " .

Wiki também se baseia nas teoria da área de Aprendizagem colaborativa com suporte computacional, também conhecida como CSCL (Computer Supported Collaborative Learning), aqui definida por [8] e outros:

"A Aprendizagem Colaborativa com Suporte Computacional (CSCL) é um ramo emergente das ciências da aprendizagem que estuda como as pessoas podem aprender em grupo com o auxílio do computador..."

1.6 - Benefícios

Como visto, há vários benefícios educacionais do uso de wikis em instituições de ensino, porém enfrenta-se consequentemente vários problemas técnicos, culturais e pedagógicos. Espera-se através do uso de uma ferramenta colaborativa vários benefícios, iremos analizar as vantagens na interação e na virtualização.

1.6.1 - Interação virtual

Um ambiente virtual-colaborativo de aprendizagem permite maior interação, uma vez que cada um possui "seu tempo" e "seu ritmo". No ensino presencial, alunos e professor precisam estar presentes fisicamente ao mesmo tempo. Um ambiente virtual viabilizou a interação assíncrona, ou seja, alunos e professores podem escolher o momento e a intensidade de interação com a turma. Em um ambiente presencial, quando um tem a palavra, todos devem parar para ouvir; em um ambiente virtual, todos podem ler e escrever em um mesmo texto colaborativo por exemplo. Dependendo do interesse e disponibilidade, alguns podem colaborar mais e outros menos, mas todos possuem a priori, as mesmas oportunidades de contribuir, conforme Bittencourt et al:

"...Com a Internet, os trabalhos colaborativos, em um ambiente escolar, podem se beneficiar deste novo e poderoso aliado em sua elaboração. Diferentemente de um espaço presencial, o professor tem a oportunidade de perceber as opiniões dos alunos, intervindo quando necessário no processo de elaboração do pensamento coletivo. Os alunos também são significativamente beneficiados quando inseridos em um projeto de construção colaborativa. Os mais tímidos têm a chance de se posicionarem em relação aquilo que está sendo construído, da mesma forma que os alunos mais dominadores são conduzidos a dividir o espaço com os demais. Assim, todos, professor e aluno, terão o seu tempo para pensar, refletir sobre as idéias coletivas.." . (Bittencourt et al. [9])

A interatividade de um ambiente colaborativo de aprendizagem também permite que ocorram mais ciclos de revisão entre pares, tornando a avaliação mais formativa e menos somativa. Frequentemente encontramos avaliações de uma somente uma via - onde professores avaliam somativamente trabalhos escritos e simplesmente fornecem uma nota; alguns ainda fornecem um feedback somente, mas sem oportunidade de recuperação ou melhoria. Um wiki pode melhorar esta relação, uma avaliação de várias vias, permitindo que vários ciclos de escrita e revisão possam ser realizados, melhorando o processo de reflexão e aprendizado.

Percebe-se então, um ganho na interatividade, uma vez que o aluno não somente recebe informações do meio, mas também contribui com a transformação do mesmo, bem como democratizar as oportunidades de expressão,

1.6.2 - Virtualização do texto

Um wiki proporciona a edição colaborativa, permitindo a criação de textos em meios digitais. Mas qual é vantagem de criar textos em meio digital em vez do meio físico (Papel)? Lévy ([10], p. 40 e 41) afirma:

"...o leitor em tela é mais 'ativo' que o leitor em papel: ler em tela é, antes mesmo de interpretar, enviar um comando a um computador para que projete esta ou aquela realização parcial do texto sobre uma superfície luminosa. Se considerarmos o computador como uma ferramenta para produzir textos clássicos, ele será apenas um instrumento mais prático que a associação de uma máquina de escrever mecânica... Um texto impresso em papel, embora produzido por computador, não tem estatuto ontológico nem propriedade estética fundamentalmente diferentes dos de um texto redigido com os instrumentos do século XIX. Pode-se dizer o mesmo de uma de uma imagem ou de um filme feitos por computador e vistos sobre suporte clássicos. Mas se considerarmos o conjunto de todos os textos (de todas as imagens) que o leitor pode divulgar automaticamente interagindo com um computador a partir de uma matriz digital, penetramos num novo universo de criação e de leitura dos signos.... Considerar o computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons ou imagens sobre suporte fixo (papel, película, fita magnética) equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade."

Ainda há professores tradicionalistas que defendem que textos em tela de computador não são adequados para ensino, alegando que provocam cansaço na vista e são de difícil manuseio; inclusive, há alguns que somente leêm textos impressos. De fato, há uma grande dificuldade na adaptação, e nada vai substituir a robustez e qualidade gráfica do texto em papel. Porém, o texto virtualizado possui várias vantagens especialmente na interatividade e acesso. É mais interativo quando permite que o leitor possa alterar o texto ou comentá-lo; e com certeza é muito mais acessível pois é muito mais barato adquirir ou transportar um texto digital do que um texto em papel. Outro vantagem é a possibilidade de hipertextualização do texto, permitindo que um leitor possa através de um simples clique consultar uma referência, bem mais rápido que recorrear ao livro impresso em uma biblioteca ou livraria.

Lévy ([10], p. 50) também acrescenta que a virtualização do texto é uma reinvenção da escrita, muito diferente do modo clássico:

"Mas convém não confundir o texto nem com o modo de difusão unilateral que é a imprensa, nem com o suporte estático que é o papel, nem com uma estrutura linear e fechada das mensagens. A cultura do texto, como o que ela implica de diferido na expressão, de distância crítica na interpretação e de remissões cerradas no interior de um universo semântico de intertextualidade é, ao contrário, levada a um imenso desenvolvimento no novo espaço de comunicação das redes digitais. Longe de aniquilar o texto, a virtualização parece fazê-lo coincidir com sua essência subitamente desvelada.... Enfim, como se acabássemos de inventar a escrita."

1.6.3 - Importância da solidariedade

Fagundes (apud. Gallo [11]) também cita que a solidariedade, é um dos maiores motivos que levam a colaboração em textos baseados em Wiki, que desenvolve a pedagogia do risco com base em experiências anarquistas em educação, e afirma que:

"Por defender a solidariedade, essa educação deve ter por base a liberdade, pois esta é a condição necessária para a cooperação autônoma. A solidariedade nunca poderia ser construída através do autoritarismo, pois a cooperação realizada sob o impacto das ordens e da coerção não seria mais do que um trabalho forçado. Assim, a construção de uma sociedade solidária passa também pela construção social da liberdade. Essa construção aparece, pois como a tarefa primeira da educação libertária, e as relações entre os membros da comunidade escolar, principalmente a relação professor-aluno, são o seu principal caminho; ao instaurar a liberdade nas relações de ensino, a pedagogia libertária opõe-se frontalmente ao ensino tradicional, autoritário por excelência"

2 - Questões norteadoras

3 - Objetivo Geral

Avaliar uma experiência de implantação de um sistema colaborativo baseado em wiki em um ambiente de formação de professores.

4 - Objetivos Específicos

  1. Justificar a escolha de um sistema wiki [12], que melhor se adequa aos fins educacionais, especialmente na colaboração entre alunos e entre professores;
  2. Identificar fatores culturais, técnicos, profissionais, psicológicos, dentre outros, que prejudicam ou auxiliam em uma adoção bem sucedida da ferramenta wiki.
  3. Apontar estratégias didáticas que podem ser aplicadas para um bom aproveitamento da ferramenta colaborativa wiki.

5 - Referencial Teórico

5.1 - Sociedade do Conhecimento

Segundo Lucci [13], vivemos em uma Era pós-industrial onde o trabalho físico é realizado por máquinas e o trabalho mental por computadores, na qual cabe ao homem uma tarefa onde ele é insubstituível: ser criativo, ter idéias.

Outro aspecto citado por Lucci e também importante é a diferenciação do termo "Sociedade da Informação" de "Sociedade do Conhecimento". A informação pode ser encontrada em objetos inanimados e na Internet, por exemplo. Porém conhecimento somente é encontrado nas pessoas, que usam a informação como matéria-prima para formar significados e conseqüentemente torná-la útil através de ações. Buscando na Internet, podemos achar uma quantidade quase infinita de informação; mas, ela é inútil se não for gerado nenhum significado para algum leitor.

A Sociedade do Conhecimento não mais se baseia no capital físico, mas sim no capital humano, representado na capacidade de realização de serviços. Seguindo leis de mercado, o trabalho intelectual é muito mais valorizado; este é medido pela competência do seus trabalhadores, em transformar informação em conhecimento, em desenvolver e projetar intelectualmente produtos, em vez de manufaturá-los. Com a globalização, o trabalho intelectual passa a ser desenvolvido em países de primeiro mundo, enquanto que o trabalho braçal passa a ser realizado em países mais pobres. Neste contexto é que se percebe a necessidade estratégica da educação, que visa preparar cidadãos, especialmente em novas tecnologias - um letramento científico tecnológico que visa adaptá-los a novos modos de produção de conhecimento.

O seguinte mapa conceitual, baseado no original de Tarouco [14], ilustra bem o conceito de Sociedade de conhecimento e a sua nova forma de produção:

SociedadeDoConhecimento.png

5.2 - Novos Modos de Produção de Conhecimento

Conforme Fagundes [15], wiki fornece um novo modelo de produção de conhecimento, também conhecida por produção em pares baseada nos bens comuns, termo criado por Benkler [16] e que tem por princípio a possibilidade da colaboração em massa para produzir algo:

"A escola é o mecanismo instituído pela sociedade para transmissão de cultura e conhecimento, produzidos por um processo histórico. Esta escola está invariavelmente ligada a um modo de produção e, dado o momento histórico por que passamos, o modelo vigente de escola baseia-se na indústria: aprendizado dividido em séries, conhecimento dividido em disciplinas, hierarquia entre professor e alunos, e entre os próprios alunos (uma vez que a avaliação é feita, em geral, com um sistema de notas que classifica alunos em melhores e piores). Assim como a sociedade industrial se sustenta pelo consumismo, a educação em si torna-se objeto de consumo, na medida em que o mercado busca certificações melhores e dá maiores salários a profissionais que atingem mais altos títulos acadêmicos. Parte fundamental deste processo é a cultura de massa, para gerar gostos de consumo semelhantes, para uma produção em massa, tanto de bens materiais como de informações...Tal situação tem como base o domínio dos meios de produção e comunicação por uma pequena elite. Porém, se por um lado o capitalismo se estabeleceu no mundo garantindo a esta elite o domínio da produção de bens tangíveis, o controle dos meios de comunicação pode ter seu fim em um futuro próximo: a Internet permite a comunicação para qualquer lugar do mundo a um custo cada vez mais baixo, possibilitando que qualquer pessoa possa publicar um livro, fazer sua rádio ou televisão..."

5.3 - Teoria sociocultural

Outra teoria com a qual podemos nos basear é a teoria sociocultural de Vygotsky - que enfatiza que a inteligência humana origina-se de em nossa sociedade ou cultura, e o ganho individual cognitivo ocorre principalmente através de processos de aprendizagem inter-pessoais (interação com o ambiente social).

Vejamos comentário de Rego ([17], p. 109 e 110) sobre a teoria de Vygotsky:

"Como vimos, segundo a teoria histórico-cultural, o indivíduo se constitui enquanto tal não somente devido aos processos de maturação orgânica, mas, principalmente, através de suas interações sociais, a partir das trocas estabelecidas com seus semelhantes. As funções psíquicas humanas estão intimamente vinculadas ao aprendizado, à apropriação (por intermédio da linguagem) do legado cultural de seu grupo. ... O paradigma esboçado sugere, assim, um redimensionamento do valor das interações sociais (entre os alunos e o professor e entre as crianças) no contexto escolar. Essas passam a ser entendidas como condição necessária para a produção de conhecimentos por parte dos alunos, particularmente aquelas que permitam o diálogo, a cooperação e troca de informações mútuas, o confronto de pontos de vistas divergentes e que implicam na divisão de tarefas onde cada um tem uma responsabilidade que, somadas, resultarão no alcance de um objetivo comum. Cabe, portanto, ao professor não somente permitir que elas ocorram, como também promovê-las no cotidiano das salas de aula. "

Por ser uma ferramenta essencialmente colaborativa, que privilegia a interação entre pares, o wiki pode ser bem explorado no sentido de promover a interação social.

5.4 - Casos de usos de wiki

Vários casos de uso citam vantagens e dificuldades no uso de wiki [??]. Vejamos alguns casos e a situação, o seu uso, avaliação e conclusões na tabela abaixo:

Situação Como foi usado Forma de avaliação Conclusões
Professor Wicks [18] usando wiki com alunos de tecnologia de um curso online da Seattle Pacific University's utilizando o sistema Módulo Teams LX 2.7 em CMS Blackboard Inicialmente foi usado na construção individual de termos da área de redes pelos alunos, oferecendo pontuação extra, porém pouca participação e interação foi obtida, uma vez que o contrato era com o professor e não com a turma. Em uma segunda experiência, o Wiki foi utilizado para desenvolver um estudo de caso, dividido em 6 etapas. A primeira etapa consistia no desenvolvimento de um contrato entre os membros da equipe, que regulava condutas e compromisso. Em outras etapas, cada membro fornecia suas opiniões sobre um assunto e em outras foi desenvolvido revisão entre equipes. Em cada etapa, cada aluno tinha uma nota de avaliação de grupo e outra individual. Com o recurso de histórico, detectava-se facilmente as contribuições de cada trabalho. Na aplicação em 25 equipes aplicadas, somente 1 reportou uma experiência negativa. O risco de um aluno desenvolver todo o trabalho foi eliminado, uma vez que o acesso aos documentos do grupo é totalmente democratizado.
Professor Schacht [19] usando wiki em um projeto de escrita colaborativa para alunos de um curso de Escrita e Leitura Crítica na Universidade SUNY Geneseo utilizando o software Wikimedia Foram realizadas três tipos de atividades - duas mais individualizadas e outra mais coletiva - a primeira atividade foi a criação de comentários, a segunda de criação de um dicionário de termos literários e o terceiro com enfoque mais coletivo foi a escrita colaborativa de análise de um poema. Alunos ganhavam pontuação por contribuições de boa qualidade. Não foi possível criar um modelo matemático para atribuir uma nota objetivamente numérica, portanto o professor utilizou critérios um tanto que subjetivos para avaliar as contribuições. No início, o artigo colaborativo estava desorganizado, mas concluiu-se de uma forma bem satisfatória. Outros professores começaram a utilizar em outros projetos como dicionários de termos literaturários. Para facilitar a operação do sistema, foram criados várias vídeo-aulas, acessíveis no próprio ambiente
Prof. Glogoff [20] usando wiki no ensino de disciplina de Introdução a Tecnologia de Informação na University of Arizona utilizando o software Wikimedia Alunos em grupos criaram um glossário de termos de Informática e as turmas seguintes revisavam os termos das turmas passadas. Antes de realizar as tarefas em grupo, o professor conduziu experiências individuais e um treinamento básico de operação no ambiente. Pontuação era baseado em uma quantidade mínima de 20 contribuições para cada aluno. Foi solicitado a cooperação mútua e discussão com outros membros do grupo. Alunos de grupos diferentes colaboraram um com os outros criando dicas de uso do wiki, demonstrando cooperação mútua.

5.4.1 Benefícios do uso de wiki

Analisando vários casos de uso, podemos enumerar alguns benefícios citados:

5.4.2 - Desafios do uso de wiki

Além dos benefícios, surgem vários desafios a serem enfrentados para alcançar um uso bem sucedido de wiki:

5.5 - Melhores práticas

Geralmente projetos de escrita colaborativa procuram envolver o maior número de participantes, no sentido de aumentar a interação e revisão dos seus conteúdos e consequentemente melhorar a qualidade de seu conteúdo.

Abrir o wiki para o público pode ser uma boa estratégia de aumentar a quantidade de revisores, bem como fazer com que alunos interajam com o "mundo externo". Neste sentido, é importante tornar o ambiente agradável e útil para a comunidade "externa". Quanto mais o ambiente wiki for ergonômico, simples, produtivo, envolvente, melhor será a experiência do usuário e a tendência de atrair voluntariamente novos participantes aumenta. Nos casos de uso já citados, em utilização de wikis educacionais, geralmente os alunos são 'obrigados' a contribuir através de notas.

No sentido de melhorar a experiência dos usuários de wikis, surgiram comunidades ([22] e [23]) que divulgam e compartilham boas práticas que podem ser adequadas para um projeto novo de implantação de wiki, aumentando suas chances de sucesso.

6 - Procedimentos Metodológicos

6.1 - Pesquisa-ação

As informações serão obtidas por meio de pesquisa de campo, especificamente na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília - um ambiente de formação de professores. Como a pesquisa envolve uma ação - a implantação de um Wiki - e uma intenção de solucionar cooperativamente os problemas de falta de colaboração mútua e necessidade de adequação aos novos modos de produção de conhecimento, adotaremos como procedimento técnico as metodologias de pesquisa-ação, conforme Tripp [24]:

"...apesar da pesquisa-ação tender a ser pragmática, ela é claramente diferenciada da prática, e apesar dela ser pesquisa ela é também claramente diferenciada da pesquisa científica tradicional, principalmente porque pesqusa-ação ambos mudam o que está sendo pesquisado, e é é restrito pelo contexto e ética de sua prática..."

Tripp caracteriza a pesquisa-ação através de vários pontos, seguem os mais explicativos:

  1. Participativa: é uma pesquisa que envolve a mudança de uma prática em uma organização e exige algum nível de participação (obrigatória, convidada, cooperada, colaborada).
  2. Inovativa: não original como na pesquisa científica, mas é algo novo que procura desenvover alguma ação inédita na comunidade/instituição em que a pesquisa será desenvolvida.
  3. Disseminada: o conhecimento gerado pela pesquisa em geral não é voltada para publicação científica, mas sim para ser compartilhada e disseminada internamente na organização.

Tripp também considera que a pesquisa-ação possui cinco modalidades, dentre as quais, este trabalho se encaixa na pesquisa-ação prática:

"...Drawing on Grundy (1983) acrescenta, a pesquisa-ação prática é diferente da técnica na qual o pesquisador que realiza a ação escolhe ou projeta as mudanças realizadas. As duas características que distinguem as duas são: primeiro, que é muito mais parecido a praticar um artesanato - o artesão pode ter recebido um pedido, mas como ele atinge o resultado desejado é muito mais por conta dele, sua experiência e idéias; e segundo que o tipo de decisões que que ele toma para como e quando, são influenciadas por suas noções profissionais do que será melhor para seus clientes. Artesãos escolhem seus próprios critérios para qualidade, beleza, efetividade, durabilidade, e assim por diante; portanto em educação o pesquisador-ação visa contribuir ao desenvolvimento da criança, ou seja, que eles procurarão realizar melhorias no aprendizado e auto-estima de seus estudantes, aumentar seu interesse, autonomia ou cooperação, e assim por diante..."

Através desta descrição, podemos identificar que iremos realizar a ação de implantar um sistema colaborativo wiki na prática de ensino-aprendizagem atual, e avaliar se o mesmo trará resultados didáticos, especialmente em aspectos colaborativos e de estímulo à autonomia do aluno. Iremos avaliar se a maneira com que foi implementada foi efetiva e alterá-la conforme for a necessidade e documentar os problemas e dificuldades de operação e uso.

6.1.1 - Escuta sensível

Uma das técnicas que a pesquisa-ação se baseia é a escuta sensível. Barbier ([25], p. 94) explica o que é escuta sensível:

"Trata-se de um 'escutar/ver' que toma de empréstimo muito amplamente a abordagem rogeriana em Ciências Humanas, mas pende para o lado da atitude meditativa no sentido oriental do termo. A escuta sensível apóia-se na empatia. O pesquisador deve saber sentir o universo afetivo, imaginário e cognitivo do outro para 'compreender o interior' as atitudes e os comportamentos, o sistema de idéias, de valores, de símbolos e de mitos (ou a 'existencialidade interna', na minha linguagem).

A escuta sensível reconhece a aceitação incondicional do outro. Ela não julga, não mede, não compara. Ela compreende sem, entretanto, aderir às opiniões ou se identificar com o outro, com o que é enunciado ou praticado.

A escuta sensível afirma a coerência do pesquisador. Este comunica suas emoções, seu imaginário, suas perguntas, seus sentimentos profundos. Ele está 'presente', quer dizer, consistente. Ele pode não mais aceitar trabalhar com um grupo, se algumas condições se chocarem com seu núcleo central de valores, sua filosofia de vida."

6.1.2 - Observação Participante

Segundo Barbier ([25], p. 94), Outra técnica também bastante utilizada na Pesquisa-ação é a Observação Participante Existencial (OPE):

"Ela é primeiramente um mecanismo de pesquisa, como acredita Lapassade (apud Barbier [25], p. 126). Desde os anos 60, fala-se cada vez mais disso num contexto de pesquisa-ação e de método qualitativo. Ela é igualmente um instrumento de pesquisa que apresenta dimensões particulares.

...O primeiro ponto consiste em poder ser aceito pelo grupo ou pela comunidade a examinar...O ingresso pode se dar por amizade, conivência, recomendação. O pesquisador em geral é chamado neste tipo de pesquisa por alguns membros do grupo. Mas se estes têm um status de poder, ele deve estar atento e manter distância para ser o pesquisador que trabalha com todos os membros, e capaz de criar o 'pesquisador coletivo'. A negociação é, portanto, necessária desde o início. Trata-se de ganhar a confiança das pessoas, e é preciso tempo para isso. A OPE é, por excelência um encontro social. "

6.2 - Protocolos de observação

6.2.1 - Entrevistas

As entrevistas consistem em um poderoso instrumento de coleta de dados para pesquisa (cf. Boni e Quaresma [26]):

"...A entrevista como coleta de dados sobre um determinado tema científico é a técnica mais utilizada no processo de trabalho de campo. Através dela os pesquisadores buscam obter informações, ou seja, coletar dados objetivos e subjetivos. Os dados objetivos podem ser obtidos também através de fontes secundárias tais como: censos, estatísticas, etc. Já os dados subjetivos só poderão ser obtidos através da entrevista, pois que, eles se relacionam com os valores, às atitudes e às opiniões dos sujeitos entrevistados...

...As entrevistas estruturadas são elaboradas mediante questionário totalmente estruturado, ou seja, é aquela onde as perguntas são previamente formuladas e tem se o cuidado de não fugir a elas. O principal motivo deste zelo é a possibilidade de comparação com o mesmo conjunto de perguntas e que as diferenças devem refletir diferenças entre os respondentes e não diferença nas perguntas (LODI, 1974 apud LAKATOS, 1996). Os questionários podem ser enviados aos informantes através do correio ou de um portador. Quando isso acontece deve-se enviar uma nota explicando a natureza da pesquisa." [26]

"...As entrevistas com grupos focais é uma técnica de coleta de dados cujo objetivo principal é estimular os participantes a discutir sobre um assunto de interesse comum, ela se apresenta como um debate aberto sobre um tema. Os participantes são escolhidos a partir de um determinado grupo cujas idéias e opiniões são do interesse da pesquisa. Esta técnica pode ser utilizada com um grupo de pessoas que já se conhecem previamente ou então com um grupo de pessoas que ainda não se conhecem. A discussão em grupo se faz em reuniões com um pequeno número de informantes, ou seja, de 6 a 8 participantes. Geralmente conta com a presença de um moderador que intervém sempre que achar necessário, tentando focalizar e aprofundar a discussão. A primeira tarefa do moderador é a sua própria apresentação e também uma rápida apresentação do tema que será discutido. Logo após os participantes do grupo devem se apresentar. Neste método de entrevista os participantes levam em conta os pontos de vista dos outros para a formulação de suas respostas e também podem tecer comentários sobre suas experiências e a dos outros. Não existe um consenso dentro das Ciências Sociais que determina quando este método é mais eficaz que a entrevista individual pois, a escolha do método sempre irá depender da natureza da pesquisa, dos objetivos da pesquisa, dos tipos de entrevistados e também depende da habilidade e preferência do pesquisador. Entretanto, podemos considerar que a discussão em grupo visa muitas vezes complementar a entrevista individual e até a observação participante..." [26]

Por uma questão de disponibilidade de tempo escolhemos estas duas técnicas de entrevistas.

6.3 - Análise e Representação dos dados

Iremos utilizar os dados fornecidos através de análises quantitativas e qualitativas.

6.3.1 - Diário de itinerância

Segundo Barbier ([25], 133), o diário de itinerância pode ser um excelente instrumento na pesquisa-ação:

"Trata-se de um instrumento de investigação sobre si mesmo em relação ao grupo e em que se emprega a tríplice escuta/palavra - clínica, filosófica e poética - da abordagem transversal. Bloco de apontamentos no qual cada um anota o que sente, o que pensa, o que medita, o que poetiza, o que retém de uma teoria, de uma conversa, o que constrói para dar sentido à sua vida.

O diário de itinerância é um instrumento metodológico específico. Enquanto tal, distingue-se das outras formas de diário.

Ele fala de 'itinerância' de um sujeito (indivíduo, grupo ou comunidade) mais do que uma 'trajetória' muito bem balizada. Lembramos que, na itinerância de uma vida, encontramos uma infinidade de itinerários contraditórios. A itinerância representa um percurso estrutural de uma existência concreta tal qual se manifesta pouco a pouco, e de uma maneira inacabada, no emaranhado dos diversos itinerários percorridos por uma pessoa ou por um grupo."

O próprio ambiente wiki será utilizado para criar os diário de itinerância, que será desenvolvido em um estilo de blog.

6.3.2 - Relatório final

Um dos elementos de análise e representação será o relatório final, que será coletivamente desenvolvido. Barbier ([25], p. 105) explica como isto é feito:

"Na pesquisa clássica, o pesquisador é sempre encarregado da redação final do relatório de pesquisa. Mesmo nos relatos de vida, é ele frequentemente que se encarrega disso, remetendo nas formas habituais as palavras ditas por seu informante. Ele imprime assim a unidade de estilo e de tom ao relatório. A pesquisa-ação predominantemente existencial e integral não pode aceitar este método. Faz parte da credibilidade da pesquisa-ação que a escrita seja coletiva. Os escritos são submetidos à leitura e discussão de todos. Isso não quer dizer que todos os textos devam ser escritos coletivamente, mas o conjunto do relatório deve conter partes escritas pelo maior número possível dos membros do pesquisador coletivo...o relatório não é apresentado sob uma forma rigorosamente acadêmica. Encontrar-se-ão trechos mais pessoais, às vezes ingênuos, ao lado de elementos descritivos e teóricos."

Além do conteúdo textual, este será ilustrado com gráficos e tabelas comparativas, no sentido de melhor ilustrar os dados de forma melhor consolidada e compreensível.

7 - Cronograma

Atividade Mes 1 Mes 2 Mes 3 Mes 4 Mes 5 Mes 6
1 - Implantação do Sistema wiki X X        
2 - Treinamento para usuários   X X      
3 - Suporte interno aos professores     X X    
4 - Acompanhamento       X X  
5 - Avaliação         X X
6 - Conclusões           X

Detalhamento das atividades:

  1. Implantação do sistema wiki
  2. Treinamento para usuários:
  3. Suporte interno para os professores
  4. Acompanhamento
  5. Controlar
  6. Avaliação
  7. Conclusões

8 - Referências Bibliográficas

  1. DUTRA, Ítalo; PICCINI, Carlos Augusto; BECKER, Julia; JOHANN, Stéfano; e FAGUNDES, Léa. Blog, wiki e mapas conceituais digitais no desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem com alunos do Ensino Fundamental. Disponível em http://www.cinted.ufrgs.br/renote/dez2006/artigosrenote/25064.pdf, acesso em 5 de abril de 2007
  2. MADER, Stewart; et al. Using Wiki in Education. Disponível em http://www.wikiineducation.com/display/ikiw/Home, acesso em 10 abril de 2007
  3. Santos, Gilberto Lacerda. Ciência, Tecnologia e formação de professores para o ensino fundamental, Editora UnB
  4. AFONSO, C. Professores e computadores. Portugal: Edições Asa, 2003.
  5. TARDIF, Maurice; e LESSARD, Claude. O trabalho docente. Editora Vozes, 2a edição
  6. WIKIPEDIA. The Free Encyclopedia. Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em: 01 de março de 2006.
  7. LOWRY, PAUL BENJAMIN; CURTIS, AARON; LOWRY, MICHELLE RENÉ. Building a taxonomy and nomenclature of collaborative writing to improve interdisciplinary research and practice. Disponível em: http://job.sagepub.com/cgi/reprint/41/1/66.pdf. Acesso em: 01 de março de 2006.
  8. Gerry STAHL, GERRY; KOSCHMANN, TIMOTHY; e SUTHERS, DAN. Aprendizagem colaborativa com suporte computacional: Uma perspectiva histórica. Disponível em: http://www.cis.drexel.edu/faculty/gerry/cscl/cscl_portugese.htm, acesso em 13 de Novembro de 2006.
  9. BITTENCOURT, Carla Simone; GRASSI, Daiane; ARUSIEVICZ, Fernanda; TONIDANDEL, Iara. Aprendizagem Colaborativa Apoiada por Computador. CINTED-UFRGS, Novas Tecnologias na Educação, V.2, Março de 2004. Disponível em http://www.cinted.ufrgs.br/renote/mar2004/artigos/01-aprendizagem_colaborativa.pdf, acesso em 5 de abril de 2007
  10. LÉVY, Pierre. O que é o Virtual?. Editora 34. Coleção TRANS, Tradução de Paulo Neves.
  11. GALLO, SÍLVIO. Pedagogia do risco: experiências anarquistas em educação. Campinas: Papirus, 1995
  12. WIKIMATRIX. Compare them all . Disponível em: http://www.wikimatrix.org. Acesso em: 1 de março de 2006.
  13. LUCCI, Elian. A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar_. Disponível em http://www.hottopos.com/vidlib7/e2.htm, acesso em 22 de maio de 2007.
  14. TAROUCO, Liane. Conhecimento na Sociedade de Informação - A produção do conhecimento. Disponível em cmap://penta.ufrgs.br, acessem em 22 de maio de 2007.
  15. FAGUNDES, LUIZ HENRIQUE. Wiki e Educação. Disponível em: http://conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/trabalhos/2005/WikiEEduca_c3_a7_c3_a3oSegundaEtapa. Acesso em 13 de novembro de 2006.
  16. BENKLER, YOCHAI. Common Wisdom: Peer Production of Educational Materials. Disponível em: http://www.lulu.com/browse/book_view.php?fCID=162436. Acesso em: 1 de março de 2006.
  17. REGO, Teresa. Vygostsky - uma perespectiva histórico-cultural da educação. Editora Vozes, 17a. edição
  18. WICKS, David . Navigating the Wiki Maze - Using a Wiki Tool within a Course Management System
  19. SCHACHT, Paul. The Collaborative Writing Project. Disponível em http://www.wikiineducation.com/display/ikiw/Home, acesso em 24 de maio de 2007
  20. GLOGOFF, Stuart. The LTC Wiki - Experiences with Integrating a Wiki in Instruction. Disponível em http://www.wikiineducation.com/display/ikiw/Home, acesso em 24 de maio de 2007
  21. INDIGO STREAM TECHNOLOGIES, providers of Google Alert. Disponível em http://www.copyscape.com, acesso em 24 de maio de 2007
  22. WIKI PATTERNS COMMUNITY, Sponsored by Atlassian Software. Wiki Patterns. Disponível em http://www.wikipatterns.com/display/wikipatterns/Wikipatterns, acesso em 24 de maio de 2007
  23. MEATBALL COMMUNITY. Disponível em http://www.usemod.com/cgi-bin/mb.pl, acesso em 24 de maio de 2007
  24. TRIPP, DAVID. Action research: a methodological introduction. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022005000300009&lng=pt&nrm=&tlng=en, acesso em: 13 de Novembro de 2006.
  25. BARBIER, René. A pesquisa-ação. Série Pesquisa em Educação, v.3, Editora Liber Livro.
  26. BONI, Valdete; e QUARESMA, Sílvia. Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais, Revista Eletrônica dos Pós-Graduandos em Sociologia Política da UFSC Vol. 2 nº 1 (3), janeiro-julho/2005, p. 68-80