r16 - 23 Nov 2006 - 16:04:10 - MarceloAkiraVocê está aqui: TWiki >  Web Main  > TWikiUsers > MarceloAkira > ArtigoMoodle
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Analisando os aspectos sócio-construtivistas no Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle

Elidiani Lima 1, Luigi Mota 2, Marcelo Akira Inuzuka 3

  • 1 Unidade Especializada de Educação à Distância - SENAC - Brasília, DF - Brasil

  • 2 Departamento de Computação - Centro Universitário de Brasília - UNICEUB - Brasília, DF - Brasil

  • 3 Departamento de Sistemas e Computação - Faculdade Michelangelo - Brasília, DF - Brazil

elidianidomingues@yahoo.com.br, luigi@luigi.pro.br, akira@sistemasabertos.com.br

Veja também:

Índice:

Abstract

According to Costa and Franco [1], every learning virtual environment needs a well defined pedagogical concept. In this sense, this article wants to investigate and identify social-constructivists aspects that Virtual Learning Environment Moodle that enforces its social-consctivists pedagogical concepts.

Resumo

Segundo Costa e Franco [1], todo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) precisa se basear em uma concepção pedagógica bem definida. Neste sentido, este artigo visa investigar e identificar aspectos pedagógicos do Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle que reforçam sua concepção pedagógica sócio-construtivista.

Palavras - Chave: sócio-construtivismo, construtivismo social, Moodle, LMS, AVA, AVEA.

Introdução

A interação e o convívio em redes de computadores geraram um fenômeno social denominado Comunidades Virtuais. A partir dos anos 90 elas se popularizaram com o advento das novas tecnologias de comunicação e informação e são resultantes de uma sociedade baseada em conexões em redes que possibilitam novas formas de convivência e espaços de sociabilidades que se efetivam pelo encontro de pessoas dispostas a compartilhar saberes e informações tendo como suporte a infra-estrutura tecnológica.

Não distante desta realidade, várias escolas se adaptaram para fornecerem um espaço virtual, por meio de Ambientes Virtuais de Aprendizagem, que não excluem o tradicional relacionamento entre alunos e professores, mas o amplia em uma nova dimensão, proporcionando novas formas de interação e comunicação.

O ambiente virtual aprendizagem que será abordado neste artigo é o Moodle. Trata-se de um software que tem como proposta a aprendizagem colaborativa em ambiente on-line, baseada numa pedagogia sócio-construtivista, pois prioriza espaços de interação e elaboração coletiva de idéias. Este software foi desenhado para ajudar educadores a criar, com facilidade, cursos on line, podendo ainda ser chamado de LMS - Learning Management Systems, que significa Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem ou ambientes virtuais de aprendizagem.

Dependendo da concepção pedagógica [1], o AVA pode servir tradicionalmente como meio apenas de fornecimento de conteúdo e meio de comunicação para envio e recebimento de tarefas. Em uma concepção mais progressista, o AVA pode ser utilizado como espaço de interação entre participantes, permitindo que os mesmos atuem na própria construção do conhecimento, compartilhando saberes e experiências. Porém uma concepção não exclui a outra, é interessante que ambas sejam aplicadas de forma eficaz, de forma a aproveitar todo potencial que um AVA oferece.

Este ambiente de aprendizagem foi selecionado para ser desenvolvido por ser um ambiente que propicia a de aprendizagem colaborativa, a participação, o diálogo, a troca de experiências entre indivíduos. Favorece aos participantes desenvolvimento de trabalhos em grupos, posibilitando a troca de suporte e aprendizagem com o ambiente. Disponibiliza, ainda, ferramentas e canais de comunicação efetivos e fundamentais para que aprendizagem colaborativa ocorra.

Iremos neste artigo iremos apresentar o que é Sócio-construtivismo por Vygotsky, que é um de seus maiores defensores e que agrega e diferencia do construtivismo tradicional de Piaget. Também avaliaremos quais são as ferramentas disponibilizadas pelo Moodle que auxiliam sua utilização em uma concepção sócio-construtivista.

Sócio-construtivismo por Vygotysky

Vygotsky atribui grande importância ao ser ativo e destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, sendo chamado de sociointeracionista e não apenas de interacionista, como Piaget. O termo sociointeracionista é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo de Jean Piaget. Ambos construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual, ou seja, sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio.

Para Vygotsky, a escola existe para que na mesma as pessoas se socializem, de acordo com Antunes [2], ela tem um papel que prepara para a construção, e ensina, através da solidariedade, a importância e o sentido do trabalho. Há ainda um terceiro fundamento importante, de que a escola que é um lugar onde se constrói saberes, solidifica e desenvolve conhecimentos, edifica a cultura, aprimora capacidades, descobre e aperfeiçoa competências e estimula inteligências.

Segundo Khol [3], Vygotsky utiliza o termo função mental para referir-se aos processos de pensamento, memória, percepção e atenção. De acordo com esta autora, para Vygotsky o pensamento tem origem na motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto e emoção. A interação social e o instrumento lingüístico são decisivos para o desenvolvimento.

Vygotsky [4] identifica três níveis de desenvolvimento:

  1. Referente as conquistas já efetivadas chamada de nível de desenvolvimento real ou efetivo;
  2. Nível de desenvolvimento potencial ou proximal, que se relaciona às capacidades em vias de serem construídas. É fundamental para que estas capacidades se transformem em conquistas consolidadas a ajuda de outras pessoas (adultos ou crianças mais experientes).

A cada construção de uma nova aprendizagem o sujeito se desenvolve e se torna mais participante do processo histórico, social e cultural. Do ponto de vista prático, essa é uma conclusão fundamental, pois traz para o professor uma maior responsabilidade no que diz respeito ao seu papel como mediador e provocador de verdadeiras aprendizagens, que possam levar o sujeito a realizar interações que o desenvolvam.

Aprender não é copiar ou reproduzir a realidade. Aprendemos na escola também quando somos capazes de elaborar uma representação pessoal sobre um objeto da realidade ou conteúdo que queremos aprender.

Os saberes não se acumulam, não constitui estoque que se agrega à mente, e sim a integração, modificação, estabelecimento de relações e coordenação entre esquemas de conhecimento que já possuímos em novos vínculos e relações a cada nova aprendizagem conquistada.

Os alunos não vão a escola para aprender e pronto, mas para construir conhecimentos em um sentido de aproximar-se do culturalmente estabelecido. O ensino escolar precisa ser visto como um processo conjunto, compartilhado, no qual o aluno, ajudado pelo professor e por seus colegas, pode mostrar-se progressivamente autônomo na resolução de tarefas, na utilização de conceitos, na prática de determinadas iniciativas em inúmeras questões.

O aluno constrói seu próprio conhecimento, jamais recebe pronto do professor e este o ajuda nessa tarefa de construção, intermedia a relação entre o aluno e o saber, é uma ajuda essencial e imprescindível, pois é graças a ela que o aluno, partindo de suas possibilidades, pode progredir na direção das finalidades educativas.

O erro faz parte do processo de aprendizado, cabe ao professor apontá-los sempre para que o aluno corrija. "Não se pode esperar que o aluno descubra sozinho o que errou".

O aluno é o sujeito da aprendizagem é aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento.

A formação de conceitos espontâneos ou cotidianos (aqueles que durante o processo de desenvolvimento, a criança vai formulando na medida em que utiliza a linguagem para nomear objetos e fatos, presentes em sua vida diária, desenvolvidos no decorrer das interações sociais) diferencia-se dos conceitos científicos (aqueles formados a partir da aprendizagem sistematizada) adquiridos pelo ensino, parte de um sistema organizado de conhecimentos.

Assim, cada elemento de aprendizagem se encontra inteiramente integrado na vida do sujeito de um modo real e complexo, não só pela aquisição construída, mas também pelo significado que deve ter.

A transferência da aprendizagem é uma constante nessa teoria, principalmente pela mobilidade dos conteúdos já construídos na interação que o sujeito é chamado a realizar em seu meio sociocultural. Cada elemento já aprendido encontra sempre significado no contexto total da vida do sujeito e possibilita a ocorrência da transferência de aprendizagem.

Sócio-construtivismo versus Construtivismo

Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). Para o ser humano, segundo Vygotsky, o meio é sempre revestido de significados culturais e só tem o sentido cultural que lhe dermos. Os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. Os fatores culturais, básicos para Vygotsky, são a diferença central entre os dois teóricos construtivistas.

Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENIDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. Para Vygotsky, é o primeiro que gera o segundo. Em suas palavras: "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis" [2]. Piaget, ao contrário, defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal).

Piaget enfatiza os aspectos estruturais e as leis de caráter universal (de origem biológica) do desenvolvimento, enquanto Vygotsky destaca as contribuições da cultura, da interação social e a dimensão histórica do desenvolvimento mental.

EaD e sócio-construtivismo

Percebe-se um direcionamento dos procedimentos educativos à distância na perspectiva construtivista. Estudos demonstram uma maior aceitação das teorias cognitivistas em EAD. Esta teoria pode ser totalmente aplicada em EAD. Respeita o ritmo do aluno, considerando-o como um ser único, sendo ele, aluno, o sujeito da aprendizagem.

As práticas em EAD se utilizam, como Vygotsky sugere, de dinâmicas participativas de cooperação e de comunicação, regras flexíveis, do desenvolvimento da criatividade e da individualidade. O aluno é quem constrói seu próprio conhecimento, sendo auxiliado pelo Tutor/Professor na construção do seu conhecimento, ajudando-o, instigando-o a avançar e aguçando curiosidades. Acompanha o processo de construção do conhecimento do aluno, sempre atento ao fato de que cada ser humano tem sua forma peculiar de aprendizagem, exercendo, assim, papel de mediador da aprendizagem.

Portanto, sua teoria se faz presente e atual nas escolas, tanto de Ensino Presencial como nas de Educação a Distância.

Ambientes Virtuais de Ensino-Aprendizagem

Existem vários Ambientes Virtuais de Ensino-Aprendizagem (AVEA) ou Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) disponíveis para serem utilizados livremente (licenciamento livre) ou comercialmente (licenciamento proprietário). Você pode obter uma lista comparativa bastante extensa de AVAs no sítio WebCT/Edutools [5].

Nacionalmente, podemos citar alguns mais utilizados, vejamos uma comparação:

Legenda: ND - Não declarada ou não disponível; NA - Não Avaliada

Característica E-Proinfo [6] Blackboard/WebCT [7] Moodle [8]
Versão analisada ND (documentação tem como referência 06/12/2006) Learning System/Academic Suite 1.6
Concepção pedagógica ND ND Sócio-construcionista
Licenciamento livre comercial livre
Autoria MEC Blackboard Inc. Martin Dougiamas
Perfil Integrado Não Não Sim
Blog Não Não Sim
Fórum Sim Sim Sim
Bate-papo (Chat) Sim Sim Sim
Workshop Não NA Sim
Wiki Não Não Sim

Aspectos Gerais do Moodle

O ambiente Moodle apresenta uma diversidade de ferramentas que podem promover tanto a comunicação síncrona (comunicação em tempo real) como assíncrona (a qualquer tempo),onde emissor e receptor não precisam estar no mesmo instante comunicativos.

É, portanto, um dos ambientes de aprendizagem mais utilizado na educação a distância e seu maior diferencial é sua aparência agradável, e de fácil instalação além de ser open source, ou seja, gratuito.

Pode ser usado, sem modificações, em Unix, Linux, Windows, Mac OS e outros sistemas que suportem PHP. E atualmente está disponível em mais de 40 idiomas.

O professor pode exercer diversas funções, não apenas pelas tecnologias aplicadas, mas também pela forma que as atividades são desenvolvidas, o professor pode desempenhar múltiplas funções, ressalvando que nem todas ocorrem em todas experiências, mas serve para mostrar o desdobramento da função docente, que no ensino presencial é assegurada por um indivíduo. Pode, ainda, criar escalas e critérios de avaliação a serem utilizados nas atividades do curso.

Possibilita ao aluno ter autonomia na realização de atividades propostas além de disponibilizar diversas ferramentas que auxiliam o professor/gestor no controle sobre o curso, os alunos, ferramentas de backup e restauração, criação de escalas para avaliação, verificação de notas, logs de alunos, gerenciamento de arquivos do curso, além de fóruns de tutores para troca de informações entre os professores.

Aspectos Filosóficos do Moodle

O projeto e desenvolvimento do Moodle é orientado por uma particular filosofia de aprendizagem, uma maneira de pensar que pode ser simplificadamente chamada de "pedagogia social construcionista". A seguir iremos citar e analisar as bases filosóficas do Moodle [9]:

Construtivismo:

"Este ponto de vista sustenta que as pessoas constroem conhecimentos ativamente quando interagem com o ambiente. Tudo o que você leu, viu, ouviu, sentiu, e tocou é testado contra seu conhecimento anterior e se for viável dentro de seu mundo mental, pode formar conhecimento novo que você leva com você. O conhecimento é fortalecido se você puder utilizá-lo adequadamente em seu ambiente de forma mais ampla. As pessoas não são apenas um banco de memória que absorvem informações passivamente, nem é apenas lendo ou ouvindo alguém que o conhecimento pode ser transmitido a você. Não quer dizer que você não pode aprender nada ao ler uma página da rede ou assistir uma conferência. Obviamente, você pode aprender com isso. Mas há mais uma questão de interpretação do que propriamente uma transferência de informação de um cérebro para outro."

Aqui Dougiamas dá sua interpretação das bases construtivistas da filosofia do Moodle, ou seja, é frisado que o conhecimento é formado por meio de conhecimentos anteriores, de que o aprendizado ocorre principalmente da interpretação do próprio aprendiz do que simplesmente transferindo informações.

Construcionismo

"O construcionismo afirma que a aprendizagem é particularmente efetiva quando se constrói algo para outros experimentarem. Isto pode ser qualquer coisa. Desde falar alguma coisa, escrever uma mensagem na Internet, até artefatos mais complexos como uma pintura, uma casa ou um software. Por exemplo, você poderia ler várias vezes esta página e ainda poderia esquecer amanhã - mas se você fosse tentar e explicar essas idéias a outra pessoa com as suas próprias palavras, ou produzir um "slideshow" que explique estes conceitos, então eu posso garantir você teria uma compreensão melhor e mais integrada em suas próprias idéias. Por isso, que as pessoas tomam notas durante conferências, até mesmo se eles nunca lessem novamente as notas"

Baseados em algumas fontes, Construtivismo e Construcionismo são termos intercambiáveis de mesmo significado. Nesta definição Dougiamas mostra uma diferença entre os dois termos, diferenciando que o primeiro pode ser baseado na interação e interpretação do ambiente; e o segundo é baseado na construção de algum conhecimento para outros experimentarem.

Sócio-construtivismo

"Estende as anteriores idéias em um grupo social que constrói coisas para outro, colaborativamente criando uma microcultura de artefatos compartilhados com significados compartilhados. Quando a pessoa é imersa dentro de uma cultura assim, a pessoa está aprendendo o tempo todo a como ser parte daquela cultura, em muitos níveis. Um exemplo muito simples é um objeto como uma xícara. O objeto pode ser usado para muitas coisas, mas sua forma sugestiona um pouco de "conhecimento" sobre portar líquidos. Um exemplo mais complexo é um curso on-line - não só as "formas" das ferramentas de software indicam sobre o modo que cursos on-lines deveriam funcionar, mas também as atividades e textos produzidos dentro do grupo ajudarão a cada pessoa formar-se dentro daquele grupo."

Percebe-se aqui na filosofia do desenvolvimento do Moodle uma clara expressão das intenções de promover a colaboração e cooperação do outro para com o outro, buscando desenvolver uma cultura baseada em conhecimentos compartilhados entre o grupo.

Saberes destacado e isolado

"Saber destacado é quando alguém tentar permanecer 'objetivo' e 'efetivo', e tende a defender as próprias idéias usando a lógica para achar falhas nas idéias do oponente. Saber conectado é uma aproximação do significado de empatia e que se liga também ao conceito de intersubjetividade, enquanto tentamos escutar e fazer perguntas em um esforço para entender o outro ponto de vista. Saber construído é quando uma pessoa é sensível a essas duas aproximações e pode escolher qualquer uma delas como apropriado para a uma situação atual. Em geral, uma quantidade saudável de comportamento conectado dentro de uma comunidade de aprendizagem é um estimulante muito poderoso para aprender, não só aproximando as pessoas de forma mais íntima como também, promovendo uma reflexão mais profunda e o reexame das convicções existentes em cada um."

Nesta definição, Dougiamas apresenta uma forma de classificação de saberes. Na prática esta classificação pode ser utilizada na classificação de postagens na ferramenta Fórum, como veremos mais adiante.

Sócio-construtivismo nas ferramentas

O Moodle possui várias ferramentas que reforçam os princípios sócio-construtivistas em que se baseia. Iremos apresentar algumas das ferramentas, que mais evidenciam este aspecto.

Perfil Integrado

É um local que diz respeito às informações do próprio usuário. Nesta area, há um formulário com inúmeros campos. Na primeira parte, define dados quanto à inscrição no curso. Na segunda parte do formulário, inicia-se com dados opcionais que pode ou não ser preenchida pelo usuário. Este espaço pode ser personalizado com a colocação de fotografia entre outros, trata-se de informações do próprio usuário.

Em perfil, o usuário pode ler as mensagens recebidas desde a última vez que saiu do Moodle, pode mudar senha. Clicando em mensagens no fórum, tem-se acesso, isoladamente, às mensagens enviadas pelo próprio usuário ao fórum, e no interior do box de cada uma é possível visualizá-las em seu contexto. Clicando em relatório de atividades, o usuário tem acesso a uma listagem com todas as atividades/materiais constantes no curso e a sua própria participação/acesso a cada uma delas.

Na versão 1.6 do Moodle, integrado ao Perfil é disponibilizado o recurso de Blog, que consiste em um registro pessoal de informações, onde cada um pode desenvolver seu conteúdo e disponibilizá-los para seus colegas. Iremos explicar melhor sobre este recurso mais a frente.

Percebe-se nesta ferramenta uma estratégia de agilizar a sociabilização da turma, por meio de um local centralizado onde um pode conhecer o outro, por meio de: foto (aspectos psicológicos e humanísticos), informações pessoais (informações gerais de perfil, gostos e contatos) e idéias (blog).

perfil.png

Blog

Este recurso é bastante recente, tanto na Internet quanto em fins educacionais [10]. É uma ferramenta voltada para que alunos possam expressar suas idéias, opinando sobre assuntos de aula ou de outros aspectos que sentir à vontade. Permite também que um possa interagir com o outro por meio de comentários. No sentido de facilitar a procura sobre opiniões ou postagens sobre determinados assuntos, esta atividade suporta a classificação dos assuntos por meio de etiquetas (tags).

blog.png

Downes [10] descreve a importância do Blog na educação, da necessidade de engajar jovens em comunidades, procurando aprender não somente o que é formal, mas também aquilo que informalmente se aprende fora da escola:

"Apesar das aparências óbvias, blogar não se baseia em escrever; isto é somente o ponto final do processo... Blogar é necessariamente, ler... é ler o que é interessante para você: sua cultura, sua comunidade, suas idéias...engajar com o conteúdo e com os autores que você tem lido - refletindo, criticando, questionando, reagindo. Se um estudante não tem o que blogar, não é porque ele não tem nada para escrever ou tem uma vida pacata. É porque ele não se "estendeu ao mundo" e ainda não aprendeu a engajar significativamente a uma comunidade.... "

Fórum

O fórum é uma ferramenta de interação coletiva assíncrona, que propicia o debate de questões relacionadas aos temas abordados nos tópicos do curso e a troca de experiências entre professores e alunos, e também dos alunos entre si.

No AVA Moodle há duas formas de participação no fórum: a) responder à questão/proposição levantada pelo professor; b) responder a seus colegas de turma, procedendo da mesma maneira em relação à mensagem a ser comentada/respondida.

Neste ambiente, é disponibilizado um editor de texto para redigir sua mensagem e permite fazer o upload de documentos disponíveis em seu computador e que considere importantes para complementar respostas.

Permite escolher entre quatro alternativas de organização das mensagens enviadas para o fórum, a saber: Mostrar respostas começando pela mais recente, Mostrar respostas começando pela mais antiga, Mostrar respostas aninhadas e Listar respostas.

Os usuários podem participar de atividades, organizadas em grupos de trabalho menores, dependendo do que tenha sido disposto pelo professor ou coordenador.

Existem dois tipos de grupo: grupos separados e grupos visíveis. Quando organizados em grupos separados, a participação fica restrita ao seu próprio grupo. Se estiverem alocados em grupos visíveis, é facultada a leitura das respostas dos participantes de outros grupos, não podendo, entretanto, interagir com os componentes dos outros grupos, mas somente do seu.

Bate-papo (Chat)

Esta é uma ferramenta que possibilita aos participantes, alunos e professores, estabelecer uma comunicação síncrona por escrito, com data e hora previamente determinados.

Todas as mensagens enviadas são registradas, aparecendo com a indicação do participante e da hora de envio. Disponibiliza uma lista dos participantes que estão conectados ao chat. Neste ambiente há ainda a possibilidade de Bipar um dos participantes. O Bip servirá para mandar uma mensagem individual, que chegará na caixa de correio desse participante.

Os Chats podem ser organizados de duas formas, sendo que a mais usual é com toda a turma reunida numa mesma "sala" (janela de interação), ou um chat com a turma organizada em grupos separados. Caso o chat esteja configurado para ser feito em grupos separados, ao acessá- lo o aluno entrará automaticamente no grupo para o qual está inscrito pelo seu tutor.

Segundo experiências de Elidiani Lima, na utilização de bate-papo no SENAC: "Percebe-se que há uma dificuldade em sincronizar o comparecimento simultâneo de alunos no chat (bate-papo), mas a interatividade e a sociabilização proporcionada pela ferramenta entre os que comparecem e o tutor é uma grande vantagem. Para possibilitar maior participação e contato, vários horários de chat são marcados, geralmente de 3 a 4 vezes por semana e em turnos diferentes, alguns até no horário de almoço para permitir a participação de quem trabalha período integral. Para deixar a conversa mais à vontade, a atividade não é obrigatória e serve principalmente para esclarecimento de dúvidas e sociabilização, melhorando o relacionamento e melhoria de aspectos afetivos entre participantes. Apesar de não suportar voz e vídeo, tecnicamente a ferramenta atende e supre todas as necessidades, permitindo de forma robusta atender a comunicação na turma, necessitando somente de um navegador com conexão a Internet..."

Workshop

É uma atividade de avaliação entre pares (participantes) e possui uma grande variedade de opções. Possibilita que os participantes avaliem projetos de outros participantes e em diversos modos, além de organizar o recebimento e a distribuição destas avaliações.

É uma ferramenta bastante configurável, permitindo proporcionar uma boa experiência entre os participantes, visando desenvolver uma avaliação justa entre alunos e professores. Segue exemplos de alguns de seus vários parâmetros de configuração:

  • Peso para avaliações do professor: permite atribuir um peso menor ou maior para as avaliações de trabalhos realizadas entre alunos ou pelo professor.
  • Auto avaliação: permite que o próprio aluno se avalie;
  • Avaliações devem ser aceitas: permite que o aluno aceite a avaliação de outro ou não;
  • Esconder notas antes da aceitação: controla o aparecimento ou não da nota, ou seja, dependendo do texto da avaliação realizada por outro aluno, antes de aceitar ou não a nota.
  • Esconder nomes de Alunos: permite que as avaliações realizadas por outros sejam anônimas;

Wiki

Wiki é uma ferramenta que permite construir ou alterar documento coletivamente com uma linguagem simples de marcação usando um web browser. O termo "wiki Wiki" significa "super rápido" na lingua havaiana, e está relacionado a velocidade de criar e de atualizar páginas, que é um dos aspectos definidos na tecnologia do wiki. Geralmente, não há nenhuma revisão prévia antes que as modificações sejam aceitadas, e a maioria de wikis são abertos ao público geral ou ao menos a todas as pessoas que têm também o acesso ao usuário do wiki.

Mantém histórico de desenvolvimento do texto armazenado, podendo ser visualizado ou recuperado, ou seja, voltar o texto para uma versão antiga e diferenciar uma versão antiga com o texto atual. Ele registra a data das alterações, o usuário que fez a alteração e a versão do texto.

Segundo experiências de Elidiani Lima em implantação do Wiki no SENAC, temos o seguinte: "Utilizamos o recurso wiki há 4 meses e com 7 turmas distintas, para elaboração de trabalhos em grupo. Na primeira experiência de desenvolvimento de trabalhos colaborativos, os alunos tiveram dificuldade de aculturação, uma vez que não estavam acostumados em edição on-line. Estranharam quando souberam que a última versão online do documento já era o trabalho pronto, pois estavam acostumados a editar off-line e entregar um arquivo final. Na segunda experiência, já tiveram bem mais facilidade, não sentiram mais dificuldade e reconheceram que era uma ferramenta que agiliza a produção de textos à distância de forma distribuida e coletiva."

Outras ferramentas

Existem outras ferramentas que a princípio não promovem a interação de todos para com todos seguindo uma concepção sócio-construtivista, mas que podem ser adaptadas:

  • Questionário: através deste é possível armazenar questões de variados tipos, como múltipla escolha, Verdadeiro ou falso, associativa, discursiva, etc. Com as questões armazenadas, é possível gerar avaliações online, onde o aluno pode até executar várias tentativas, obtendo uma nota média ou maior de todas tentativas. Quando se permite várias tentativas, o aluno pode reavaliar suas respostas e tentar novamente, procurando corrigir seus próprios erros. A priori esta atividade é estritamente individual, realizada por uma conta de acesso, mas pode ser feita em grupo, desde que o professor o permita.
  • Tarefa: nesta atividade o professor propõe um problema e aluno fornece um resposta por arquivo ou realiza uma atividade off-line (sem necessitar entrega de arquivo, presencialmente). A priori a ativadade é tradicionalmente individual, mas pode ser utilizada de forma colaborativa, quando o professor apresenta para a turma uma tarefa bem realizada, servindo como incentivo para o autor da tarefa e fornecendo um bom parâmetro para outros alunos seguirem.

As ferramentas seguintes não puderam ser adaptadas para uma perspectiva sócio-construtivista:

  • Diário: é uma atividade onde o aluno interage com o professor, enquanto elabora um texto que é continuamente revisado.
  • Notas: todas as atividades possuem uma nota que podem ser centralizadamente consultadas pelo recurso de notas.

Conclusão

O Moodle é um ambiente que privilegia espaços de interação e elaboração coletiva de idéias. Está focado numa abordagem centrada no papel ativo do sujeito controlando sua ação educativa, principalmente quando o ato educativo é entendido como um momento de construção de conhecimento, de intercâmbio de experiências e criação de novas formas de participação.

Propicia, finalmente, o crescimento dos alunos na busca de processos mais autônomos, questionando e procurando ultrapassar relações de dependência e sujeição tão evidentes em modelos tradicionais.

Uma das suas principais vantagens sobre outras plataformas é seu forte embasamento na Pedagogia Construcionista, evidenciada com declaração em seu próprio sítio [9]. Outros AVAs analisados neste artigo, a priori não declararam explicitamente ou não encontrada sua concepção pedagógica. É necessário observar que a ferramenta potencializa seu uso em uma concepção sócio-construtivista, mas não garante que sua execução será bem aproveitada; tudo depende da capacitação e disposição do docente em utilizar criativamente e efetivamente a total capacidade do AVA.

Referências

  1. COSTA, L. A. C. da, FRANCO, S. R. K. Ambientes Virtuais de Aprendizagem e suas Possibilidades Construtivistas. RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação V 3, n 1. Disponível em http://www.cinted.ufrgs.br/renote/maio2005/artigos/a25_ambientesvirtuais.pdf (acesso em 06/06/2006).
  2. ANTUNES, Celso. Vygotsky, Quem Diria ?!: em minha sala de Aula. Petrópolis RJ, Vozes, 2002.
  3. OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky Aprendizado e Desenvolvimento : Um processo Sócio-Histórico. SP. Scipione , 1997.
  4. VYGOTSKY, L.S - Pensamento e Linguagem. SP, Martins Fontes, 1988.
  5. WEBCT/ EDU TOOLS. Product List - http://www.edutools.info/item_list.jsp?pj=8, acesso em 23/08/2006.
  6. MEC/EPROINFO. http://www.eproinfo.mec.gov.br/, acesso em 23/08/2006.
  7. BLACKBOARD INC. http://www.blackboard.com/products/as/learningsys/technical, acesso em 23/08/2006.
  8. DOUGIAMAS, MARTIN. http://www.moodle.org, acesso em 23/08/2006.
  9. MOODLE. Philosophy. Disponível em: http://docs.moodle.org/en/Philosophy (acesso em 28/07/2006)
  10. DOWNES, STEPHEN. Educational Blogging. EDUCAUSE Review, vol. 39, no. 5 (September/October 2004). http://www.educause.edu/pub/er/erm04/erm0450.asp?bhcp=1, acesso em 24/08/2006


Comentários sobre este artigo

  • Comentem à vontade, basta registrar-se e escrever na caixa de comentário e clicar no botão "Add comment". Se quiserem editar este artigo, basta e clicar no botão "Editar" ou "WYSIWYG" todos na parte superior. -- Main.MarceloAkira - 24 Jul 2006 - 13:32
  • Comentários do orientador do artigo: "Pelo que eu entendi, vocês pretendem discutir o MOODLE como um ambiente virtual de aprendizagem com concepção sócio-construtivista. Estou certo? Portanto, proponho que vocês organizem o trabalho da seguinte forma:"
    1. Introdução: abordem a importância de se utilizar ambientes virtuais de aprendizagem para a EAD. Explicitem os objetivos do trabalho e como vocês pretendem desenvolve-lo. DONE
    2. Sócio-construtivismo: abordem de forma mais resumida, os principais conceitos do sócio-construtivismo e como esses conceitos podem influenciar a concepção e utilização de AVA. DONE
    3. Ambientes Virtuais de Aprendizagem: Defina o que são e citem alguns dos mais utilizados, baseando-se em textos acadêmicos. No material do nosso curso há artigos que discutem AVA. DONE
    4. O ambiente MOODLE: discutam aqui as principais características do MOODLE que podem ser consideradas Sócio-construtivistas. Nesse caso, vocês precisam destacar aspectos inovadores que o MOODLE possui e que outros AVA não. DONE
    5. Conclusões. Fiz várias sugestões ao longo do texto e podemos discutir mais se vocês desejarem. Aires DONE
  • slides_alunos_mest.ppt: Slides padrões utilizados a serem utilizados para o EAD - formato ppt
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